Comunidade do Engenho Batateiras em Maraial (PE) pede um urgente socorro

Comunidade pede atuação rápida da Justiça

Na segunda feira (28), um grupo de agricultores e agricultoras da comunidade registrou Boletins de Ocorrência (BOs) na delegacia do município de Maraial. Foram comunicados diferentes tipos de ações violentas atribuídas ao empresário Walmer Almeida da Silva e aos seus funcionários, todas ocorridas na véspera de Natal, 24 de dezembro. Além dos Boletins de Ocorrências, foi realizada a oitiva de parte do grupo. De acordo com os documentos, o empresário e seus funcionários proferiram ameaças a diferentes moradores da comunidade durante aquele dia. Também foi registrada a ocorrência de perseguições, seguida de ameaças com disparos de armas de fogo por parte de capangas do empresário. Ainda segundo os BOs, os funcionários de Walmer Almeida da Silva também agrediram fisicamente dois agricultores, enquanto estes estavam ajoelhados sob a mira de armas de fogo.

A comunidade, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de Pernambuco (FETAPE) alertam as autoridades e o Poder Judiciário sobre a gravidade do conflito fundiário instaurado no local após tais episódios. Dados da violência no campo, coletados desde 1985 pelo Centro de Documentação Dom Tomás Balduíno, da CPT, revelam que os assassinatos ocorridos em conflitos fundiários geralmente vieram precedidos de ameaças de morte. Essas mortes anunciadas poderiam ter sido evitadas se a justiça e as autoridades atuassem de forma célere e comprometida com a vida de mulheres e homens do campo. A comunidade reivindica que Poder Judiciário aja de forma imediata para que o conflito não evolua para mais um assassinato no campo.

Os episódios de violência no local são denunciados pela comunidade desde o mês de julho, quando o empresário chegou ao local, afirmando ser o novo dono das terras em que as famílias vivem há gerações. Durante esse período, diversas ações foram judicializadas pelos agricultores/as, com pedidos liminares de proteção às suas vidas e aos seus direitos, os quais ainda não foram decididos. O conflito também vem sendo denunciado para a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, para a Secretaria de Desenvolvimento Agrário, para o Ministério Público, além de outros órgãos estaduais. Encontram-se em situação de risco, além das famílias camponesas,  agentes do próprio Estado, que já revelaram não se sentirem seguros/as quando realizam diligências no local, além de integrantes de organizações sociais que acompanham o conflito in loco.

Quem é Walmer Almeida da Silva, o homem acusado de comandar a violência na comunidade de Batateiras, em Maraial (PE)

Lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, formação de quadrilha, falsidade ideológica e homicídio. Essas são algumas das acusações contra Walmer Almeida da Silva, 50, o homem denunciado por comandar a violência em Batateiras. Seu nome já esteve estampado em várias matérias de jornais.

O empresário foi preso em 2013 na Operação Abdalônimo, deflagrada pela Polícia Federal (PF), sob a acusação de integrar um suposto esquema de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, sonegação fiscal e falsidade ideológica. Segundo declaração da PF em jornais, pelo menos R$300 milhões teriam sido movimentados por 20 empresas laranjas durante cinco anos.

O site Repórter Nordeste publicou um trecho da decisão da prisão preventiva do empresário, dada pela 17ª Vara Criminal da Capital/AL: “o acusado fora encontrado não com uma arma, mas com um verdadeiro arsenal bélico, o que não se traduz como mera segurança pessoal e traz grave ameaça à segurança pública”, afirmam os magistrados. Esse processo ainda está em tramitação na justiça (nº 0006570-46.2015.8.02.0001).

O helicóptero utilizado pelo acusado em suas idas à Maraial também já foi apreendido pela Polícia Federal em 2013. A mesma aeronave foi usada pelo ex-presidente Collor em sua campanha para governador em 2010, segundo informações de portais de notícias.

Walmer Almeida da Silva também responde por outro grave processo na justiça. Ele é acusado pelo homicídio qualificado de Antônio Gonçalves Bezerra, ocorrido em 13 de agosto de 1994, na cidade de Vitória de Santo Antão (PE). Conforme apontam matérias de jornais, Antônio teria sido seu concorrente durante o período em que comercializavam frutas na região. O empresário é réu e o processo ainda tramita na Justiça (nº 0000207-13.1995.8.17.1590). O caso foi noticiado por portais de notícias durante a cobertura da Operação Abdalônimo, em 2013.

O nome de Walmer Almeida da Silva também foi encontrado em outra matéria, mais antiga, desta vez de 2009, no portal Terra. No texto, Walmer Almeida da Silva apareceu como um homem influente que teria mobilizado forças no Senado para tentar conseguir porte de arma junto à Polícia Federal.

O empresário chegou à comunidade durante a pandemia, afirmando ser da IC Consultoria em Empreendimentos Imobiliários, nova proprietária das terras. A empresa pertence formalmente aos seus filhos, Walmer Almeida Cavalcante e Ianne Catarina Almeida Cavalcante, mas é ele quem vai pessoalmente intimidar as famílias, segundo as denúncias enviadas para órgãos de governo. A área de 940 hectares foi negociada por R$ 500 mil e cada hectare saiu pelo valor de cerca de R$ 520 reais. O valor de mercado do hectare na região, segundo o Incra, gira em torno de R$ 9 mil.

O histórico de acusações atribuídas ao empresário é de conhecimento das famílias de Batateiras, o que as fazem reivindicar com mais urgência uma atuação enérgica por parte do Poder Judiciário e do Governo do Estado. Diante da ação ocorrida na comunidade, no dia 24 de dezembro, véspera de Natal, a Comissão Pastoral da Terra – CPT e a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de Pernambuco -FETAPE alertam as autoridades e o Poder Judiciário sobre a gravidade do conflito fundiário instaurado no local.

Dados do Centro de Documentação Dom Tomás Balduíno, coletados pela CPT desde 1985, revelam que os assassinatos ocorridos em conflitos fundiários geralmente vieram precedidos de ameaças de morte. Essas mortes anunciadas poderiam ter sido evitadas se o Poder Judiciário e as autoridades atuassem de forma célere e comprometida com a vida das/os mais empobrecidas/os.

Encontram-se em situação de risco: famílias camponesas da comunidade, agentes do próprio Estado, que já revelaram não se sentirem seguros/as quando realizam diligências no local, além de integrantes de organizações sociais que acompanham o conflito in loco.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *