Mobilidade urbana em crise e quem paga a conta são as pessoas

Por Assessoria de Comunicação/CUT Pernambuco

Mobilidade Urbana é definida como a condição que permite o deslocamento das pessoas em uma cidade, com o objetivo de desenvolver relações sociais e econômicas. Ou seja, é como os indivíduos conseguem se locomover para o trabalho, escola, lazeres e afins. No dicionário, mobilidade significa “facilidade para se mover”, o que não é uma realidade constante para quem mora nas grandes cidades, sobretudo para quem mora no município de Recife.

A capital pernambucana amarga o primeiro lugar de pior trânsito do país e um dos 15 piores do mundo, de acordo com o ranking anual Traffic Index, elaborado pela empresa de mobilidade Tomtom. O relatório avaliou 416 cidades em 57 países e classifica o congestionamento urbano em todo o mundo.

Ônibus, metrô, bicicleta, outros transportes coletivos e carros, as opções são variadas que fazem parte das soluções de mobilidade. Para Klauber Teixeira, que é da coordenação do Pedal Lula Livre e do Setorial Nacional de Transportes do PT, as dificuldades na mobilidade não é uma especificidade do Recife, mas, de quase todas as cidades do país. “A mobilidade urbana não só na nossa região, mas, de todo os aglomerados urbanos, nas capitais e regiões metropolitanas passam por uma enorme crise. Aqui em Recife, eu destacaria três grandes problemáticas: o primeiro é a questão de trânsito e o estímulo ao transporte automotivo individual. O excesso de automóvel na rua provoca muito congestionamento na cidade, poluição, acidentes de trânsito e também impactos na política habitacional” pontua.

Segundo ele, outro ponto é o pouco investimento no transporte público de massa. “ Este sim precisaria ter um tratamento prioritário, talvez construindo caminhos livres para eles, sem que eles fiquem presos nos congestionamentos, já que a maioria da população usa desta modalidade. E, por fim, a pouca transparência na gestão do sistema de transporte público e também, infelizmente a pouca participação social”, defende.

Desafio diário

Neste cenário caótico, quem mais sofre são as pessoas. E, também sofre e perdem suas vidas em um trânsito violento e sem estrutura. No apagar das luzes de 2020, mais uma vida foi interrompida por um acidente de trânsito. A morte do ciclista Marcos Batata, é o retrato do quanto ainda tem que ser feito para que as pessoas fiquem seguras enquanto se deslocam.

Marcos da Silva Alves, conhecido por Batata ou Marquinhos, tinha 32 anos e foi brutalmente atropelado na noite de Natal, enquanto pedalava na Avenida Uriel de Holanda, na Linha do Tiro. Segundo testemunhas que estavam no local, o motorista que atropelou Marcos é um sargento do Exército e dirigia seu automóvel em alta velocidade e embriagado. O sargento foi autuado por homicídio com dolo eventual, pelo fato da combinação do uso do álcool e do volante.

Cidade sem estrutura

Segundo a Associação de Metropolitana de Ciclistas do Recife (Ameciclo), cerca de 82.286 pessoas passam de bicicleta durante 14 horas em um pré-escolhido cruzamento da cidade do Recife. As contagens são registradas manualmente através da observação das pessoas voluntárias na contagem, registrando a direção do deslocamento e fatores qualitativos.

Para Klauber, os maiores desafios para as pessoas que usam a bicicleta como meio de transporte é a falta de estrutura cicloviária. “Precisamos de ciclovias, ciclofaixas ou ciclorotas, que são esses lugares que o ciclista pode pedalar de uma forma mais segura e com mais dificuldade de um carro invadir e atropelar, porque o ciclista quando pedala junto com os carros fica bastante vulnerável e termina ocasionando muitos acidentes e mortes”, diz.

Sobre medidas que podem ser feitas para melhoria da mobilidade, Teixeira defende que “Cada cidade controla o seu trânsito, então as prefeituras precisam investir em melhorar os seus trânsitos. Investir sobretudo no controle e na fiscalização do trânsito, seja um controle humano, capacitando os agentes, seja um controle eletrônico, investindo na tecnologia, colocando pardais e diminuir as velocidades nas vias, que é muito importante para humanizar a cidade.

Plano Diretor

Precisa também ampliar as calçadas, rever os tempos de travessias nas vias, para os pedestres transitarem com segurança e, claro, cuidar da acessibilidade universal para os cadeirantes, os deficientes visuais e todas as outras pessoas que precisam de cuidados especiais. Para os ciclistas, implementar o Plano Diretor Cicloviário. Ele está no papel, é um plano muito bem feito, teve a escuta da sociedade e está faltando implantar. Mesmo com os avanços, pedaços de ciclovias não adianta. Para o transporte público coletivo, ele precisa de investimento na infraestrutura e também na diminuição na passagem, procurando outros meios extra tarifárias”.

Até quando ficaremos reféns?

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